terça-feira, 14 de agosto de 2018

Maturidade x Imaturidade




Quando nossas verdades não podem ser contadas como deveriam passamos a acreditar em contos, em personagens que falam através da gente, não importa a idade sempre fica mais fácil por meio de outras pessoas contar algo que vivemos.


Minha infância foi entre agulhas e bonecas, minha brincadeira sempre tinha um equipamento de hospital mesmo quando estava em casa, pra mim brincadeira tinha que ser dentro de um hospital ainda que imaginário com doenças que parecessem tão reais quanto a minha, eu saia do hospital mas o hospital não saia de mim não que eu gostasse ou sentisse falta de estar internada mas porque por muitos anos aquilo era minha rotina, esperava o telefone tocar  e sabia que era hora de pegar as roupas que estavam separadas, minha mãe já tinha deixado “sob aviso”.

Ao internar já tinha decorado o procedimento: dar a baixa, esperar a enfermeira nos levar ate o quarto com a vaga, sabia que as 18 horas era a hora de “procurar a veia” era a hora de “furar” quando tinha sorte conseguia nas primeiras vez mas quando não a noite ia longa tentando achar a veia, agulhas passavam de mão em mão ate achar algo e sempre escutando a mesma frase: “Fica relaxada se não a veia escapa” sim, deveria ter ficado relaxada enquanto literalmente cavavam dentro do braço alguma veia útil. 

A rotina dentro de um hospital é estressante, não sei aonde é para descansar, medir pressão, temperatura, pesar todas as manhãs, como dormir com uma agulha no braço? Se mexer muito na cama não pode afinal acaba perdendo a veia, fora as noites que de tão cansadas eu e minha fiel escudeira (minha mãe) pegávamos no sono, acordava sem medicação rolando mais, secava e acabava perdendo a veia porque a enfermeira esqueceu de passar no meu quarto ou estava ocupada

Então as noites tornam-se longas e cansativas porque alguém precisava cuidar a medicação! Oito horas da manha já te acordavam, as vezes por nada mas é proibido dormir ate mais tarde ( a não ser que tu fique em um quarto privativo, dai a historia é outra....)

Começa cedo o dia por lá: fisioterapeuta, nutricionista, médico e quando lembravam de mandar a estagiaria de psicologia, o que eu particularmente não tinha saco! Não tinha paciência de falar o obvio: não estava tudo bem e não estava a fim de falar engraçado né? Logo eu que hoje amo minha terapia, mas naquele momento tinha vontade de mandar longe a pessoa, coitada!

A moral é a seguinte: na vida tudo precisa de maturidade, principalmente para encarar a vida com uma doença,  mas o que fazer quando nossa única opção é ser madura desde criança? Eu cheguei a uma conclusão: em alguns pontos amadureci demais,  vivi coisas que me fizeram ser adulta antes do tempo  mas em contra partida tenho imaturidades que não são  simples para serem  resolvidas!


Complicado não? 







*Fonte da imagem: https://osegredo.com.br/maturidade-emocional-nao-e-uma-questao-de-idade/