quarta-feira, 6 de junho de 2018

Psicologia





Setembro: o mês da atenção!


O mês de setembro é considerado o mês de conscientização nacional da Fibrose Cística, mas além deste, também nos atenta para o chamado “setembro amarelo” que significa o mês de prevenção ao suicídio. A depressão como todos conhecem, é a doença que mais acomete indivíduos no mundo inteiro e que muitas vezes, se não tratado corretamente pode levar a atitudes extremas como o suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS 2015) no Brasil aproximadamente 6% da população sofre com esta doença, em relação ao suicídio este representa estar entre as 20 maiores causas de morte acometendo jovens de 15 e 29 anos. 


A fibrose cística é uma doença bastante delicada, que exige um certo esforço do paciente para manter a rotina “pesada” de tratamento de forma regular. Segundo pesquisadores da área da saúde, o período da adolescência pode ser considerado o mais crítico em pacientes com fibrose cística, devido principalmente a sua rotina constate de tratamento, assim como a ingestão diária de medicamentos e fisioterapias. Além de todo o tratamento pode-se dizer que a fibrose cística é uma doença “incerta” havendo no decorrer da vida constantes altos e baixos em relação ao estado de saúde, o que pode levar muitos dos pacientes a depressão, e que muitas vezes é confundida com outros sintomas ou ignorada. 


A depressão no paciente com fibrose cística pode ser observada a partir de atitudes que demostrem desistência do tratamento, ou sua própria “sabotagem”, deixando de realizar os cuidados necessários tendo como consequência o declínio no estado de saúde. Por isso é importante que o paciente se faça presente de uma rede de apoio familiar e amigos, isso faz com que ele não desista dos cuidados, contribuindo para melhora na adesão ao tratamento.


De acordo com o artigo Adolescência em pacientes com fibrose cística, “em função da doença faz-se necessária uma rotina rígida de tratamento, a qual pode ser dificultada com a entrada na adolescência. Neste período, muitos pacientes portadores de fibrose cística começam a rebelar-se contra o tratamento, tendo relutância em participar dos regimes rigorosos de fisioterapia e de um compromisso clínico regular”. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942004000200004 (link do artigo).



A depressão é uma doença que assim como as demais, precisa ser levada e tratada a sério, é importante reforçar, que o psicólogo é o profissional que poderá lhe auxiliar neste período, tendo em vista os sinais como tristeza profunda, desamino, cansaço excessivo, desejo de dormir excessivamente, desejo de morrer, apatia, sendo apresentados por mais de 15 dias, comunique, seus familiares, ou amigos, para que atitudes adequadas sejam devidamente tomadas




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Inicio essa breve conversa dando-lhes boas-vindas a esse espaço virtual, onde vocês leitores terão acesso a todo tipo de informação, onde compartilharemos nossas histórias de vida. E para dar início a essa conversa irei me apresentar a vocês, que assim como a maioria dos frequentadores desse blog, eu também sou portadora de Fibrose Cística e por este fato sinto-me lisonjeada em poder compartilhar com vocês, nesse momento de abertura do blog a minha história, e também a importância que o curso de psicologia teve em minha vida.

Eu me chamo Tainá, tenho 23 anos, fui diagnosticada com Fibrose Cística ainda bebê, logo que nasci fui submetida a uma cirurgia para desobstruir parte do intestino que estava enrolado, isso aconteceu quando eu ainda estava na barriga da minha mãe, e devido a isso, nasci prematuramente. Foi através dessa obstrução que se iniciou uma investigação sobre o que poderia ser todos aqueles sinais, eu não conseguia ganhar peso e evacuava toda vez que era alimentada. 

A conclusão da doença ocorreu através do teste de DNA, mas a desconfiança da doença, aconteceu por meio de um beijo na testa, isso mesmo, minha vida mudou, a partir de um simples gesto de carinho, um beijo. A partir dessa luz que foi dada para a minha família sobre o que poderia ser todos aqueles problemas de saúde e posteriormente a confirmação, foi iniciado o tratamento em Porto Alegre, aonde continuo ate hoje.
Minha infância foi tranquila e muito feliz, no decorrer da vida, meus pais se separam quando eu tinha um ano de idade, onde meu pai, assumiu todos os cuidados, mas sempre lidei com esse fato muito bem, minha adolescência foi um pouco difícil, pois eu queria ser como todos os outros adolescentes e fazer as mesmas coisas, passei pela fase de não aceitação da doença nesse período, boicotei, por várias vezes meu tratamento, me recusei por várias vezes fazer as fisioterapias e tomar as medicações, era muito difícil para mim, aceitar que eu não podia fazer tudo que queria, sofri rejeição de amigos, não aceitava meu corpo como ele era, tinha complexos com ele, várias situações que hoje em dia na vida adulta me ajudou muito a me tornar quem sou hoje.
Segundo alguns estudos, o período da adolescência nos pacientes com Fibrose Cística é um dos períodos mais delicados, e para esse momento difícil da adolescência, é necessário todo o apoio da família, e mesmo que as vezes, passa na nossa cabeça jogar tudo para o alto, que a família ínsita, seja persistente, por várias vezes eu tive essa vontade, mas eu estava rodeada de pessoas que me amam de verdade e que não me deixaram desistir.
Hoje com 23 anos, aprendi muitas coisas, e me renovo todos os dias, aprendi também a adaptar a minha rotina com o tratamento e devido a isso consigo realizar os meus objetivos, os meus desejos, os meus sonhos. Hoje em dia, dou muito mais prioridade ao meu estado de saúde, as minhas condições para realizar as coisas que desejo. Seja qual for a sua doença, todas são passiveis de adaptações, nada é impossível para nós, outra coisa que aprendi e que é muito valioso, é não deixar de realizar o tratamento, eu aprendi, que tudo que se deixa de fazer, principalmente quem tem Fibrose Cística, tem uma série de consequências, que pode virar uma bola de neve. O tratamento é sinônimo de anos de vida e qualidade. É característico da doença Fibrose Cística, com o passar dos anos sofrer algumas perdas em relação a saúde, mais o mais importante de tudo é nunca desistir, estar próximos a pessoas que amamos e que nos amam, nos reinventar e renovar nossas esperanças a cada amanhecer.

Para nós nada é impossível, somos capazes de tudo, capazes de andarmos com as próprias pernas e sermos felizes. Hoje sou formada de Psicologia, mostrando ao mundo e a todos, que nós somos especiais e temos capacidade de ir muito longe. Você que está lendo esse texto, saiba que tudo é possível, continue lutando, vencendo seu “leão” todos os dias, a Fibrose Cística é apenas uma parte do que somos.

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