quarta-feira, 6 de junho de 2018

Fisioterapia


Técnicas de Fisioterapia 




Nos últimos tempos a fisioterapia respiratória na fibrose cística (FC) evoluiu favoravelmente disponibilizando aos pacientes novas técnicas, realizadas em posições mais confortáveis e tão ou mais efetivas do que as técnicas convencionais. 

Entre elas, destacamos a pressão expiratória positiva (PEP), PEP oscilatória, Ciclo Ativo da Respiração, Aumento do Fluxo Expiratório (AFE), Expiração Lenta e prolongada (ELPr), Drenagem Autógena, Drenagem Autógena Modificada e Drenagem Autógena Assistida.

Hoje iniciaremos com o Ciclo Ativo da Respiração. Dividi-se em três fases: controle respiratório, expansão torácica e técnica de expiração forçada (TEF). O controle respiratório consiste de respiração profunda diafragmática em nível do volume corrente com relaxamento da parte superior do tórax e ombros. 

Tem o objetivo de evitar o broncoespasmo que pode ser desencadeado pela terceira fase.
A expansão torácica consiste de exercícios de inspiração profunda com ou sem apneia. Através dessa fase ocorre aumento de volume pulmonar distalmente a obstrução o que na fase expiratória poderia desencadear o deslocamento de muco para vias aéreas superiores. 
A Respiratory Care, em um dos seus capítulos sugere que sejam realizadas quatro inspirações profundas seguidas de apneia de três segundos entre elas.

E por fim, a TEF ou huffing que consiste em uma expiração forçada com a glote aberta, tipo suspiro com a boca aberta, como se fossemos embaçar um espelho,tal fase tem o objetivo de desencadear a expectoração.

A técnica pode ser introduzida a partir dos dois ou três anos através de atividades lúdicas. Inicia-se com controle respiratório, duas vezes, quatro inspirações profundas com apneia de três segundos, repete-se o controle respiratório duas vezes e por fim faz-se o huffing. Esse circuito pode ser realizado de 20 a 30 minutos, duas vezes ao dia.


  Prof. Dr. Jefferson Veronezi


* Fonte da imagem: https://galeria.colorir.com/o-corpo-humano/pulmoes-e-bronquios-pintado-por--1084368.html















FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA

                                          

RETROSPECTIVA E ATUALIZAÇÃO

Em 1997 fui convidado pelo Dr Paulo Maróstica para fazer parte da Equipe de Fibrose Cística (FC) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Num primeiro momento relutei, mas acabei aceitando o desafio. Um dos primeiros pacientes na qual me deparei estava em péssimas condições de saúde, era uma adolescente emagrecida e com dificuldades para respirar, mal conseguia dormir na posição deitada. Fiquei assustado, afinal tinha poucos anos de formado e quase sem nenhuma experiência nessa doença.  Então fui à luta, revisei uma série de manuais que descreviam as técnicas de fisioterapia respiratória nessa doença e usadas nos países de primeiro mundo e com o consentimento do Prof. Dr. Fernando Abreu, Chefe da Equipe na época, comecei a aplicá-las  na Unidade de Internação do HCPA, principal Centro de Referência aqui no Rio Grande do Sul.

Inicialmente os pais realizavam o que chamamos de fisioterapia Torácica Convencional que inclui Tapotagem, Drenagem Postural, Vibrocompressão e tosse. A habilidade dos pais em realizar essas manobras impressionava aqueles que transitavam pelo 10° andar Sul do HCPA. Isso foi tão impactante que me motivou a relatar essa experiência através de uma Carta ao Editor publicada em 2009 no Jornal Brasileiro de Pneumologia.Aos poucos e de acordo com Recomendações Internacionais fomos modificando as técnicas de fisioterapia respiratória passiva por aquelas mais ativas e que tornavam os pacientes independentes, principalmente aqueles com idade igual ou superior aos seis anos.  Foram inseridas a drenagem autógena, o ciclo ativo da respiração e técnicas com pressão positiva, entre elas a Pressão Expiratória Positiva Final (EPAP). 

Devido à imaturidade pulmonar, nos bebês mantivemos técnicas passivas e uma das mais utilizadas nos dias de hoje é o aumento do fluxo expiratório (AFE).Vale ressaltar a importância da fisioterapia respiratória na desobstrução das vias aéreas objetivando uma melhora das trocas gasosas. Do contrário, oportunizamos que as bactérias se multipliquem através do nicho hipóxico formado através do acúmulo de catarro. Sendo assim, fica evidente a importância da realização de sessões diárias de fisioterapia respiratória que devem ser associadas a técnicas de inalação, exercícios físicos e suplementação nutricional. Isso é de suma importância para melhorar a qualidade de vida, controlar a função pulmonar e com isso aumentar cada vez mais a sobrevida nos portadores de FC.

Um agradecimento especial a Ane Mocellin pela construção desse blog e pelo convite em dividir com vocês a minha experiência de 21 anos convivendo com os pacientes e seus familiares. Fica todo meu apreço a dedicação de vocês. Um forte abraço! 

                                                                                                                          

  Prof. Dr. Jefferson Veronezi


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